Carlitus Bar está de Volta!!!

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Fotos: Facebook

Quais são os três elementos para o crescimento de uma cena Rocker em qualquer lugar do mundo? Bandas, público e bares. E um dos bares mais Rockers que surgiram em Porto Alegre nos últimos tempos está de volta. Após fechar duas vezes, trocar de nome, virar produtora, o Carlitus Bar está de volta, desta vez para ficar.

Mariel Caetano, o exército de um homem só, responsável por dar vida ao Carlitus, nos conta um pouco mais sobre a história e o retorno do bar:

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Insanity: Com surgiu a ideia de montar o bar?

Mariel: Aconteceu durante uma conversa antes de assistir um show. É aquele lance que a maioria dos músicos deve sentir, tudo começou com um sonho de ter uma história maior com o Rock And Roll. Daí surgiu a vontade de montar um bar voltado para esse estilo. Então duas semanas depois apareceu a oportunidade de comprar a empresa Carlitus.

 

 

Insanity: Então Carlitus já existia?


Mariel:
Sim, o Carlitus Bar já existe desde 1974.

 

 

Insanity: Em que época surgiu essa oportunidade de comprar o bar?

Mariel: Foi em março de 2012, quando eu transformei o Carlitus Bar em uma casa voltada para eventos de Rock.

Insanity: Tens recordações da inauguração?

Mariel: Foi bem legal, apesar de ter sido um pouco amador na época, por que o antigo bar tinha um clima bem sofisticado. Então eu peguei a casa desse jeito e o dinheiro que eu tinha para investir acabei gastando tudo na compra (risos). Eu não era empresário, não era esse gerente financeiro para me programar e lidar com uma casa desse porte. O que deu para fazer na época foi abrir a casa, comprar cerveja e chamar uma banda, que foi a Crossfire, a primeira banda que tocou no bar. Tive que colocar a galera para assistir naquelas mesinhas sofisticadas que tinha cadeiras com almofadas, nas escadas tinha um tapete vermelho. Mas foi bom, se eu não me engano tinham por volta de 160 pessoas.

 

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Noite de inauguração ainda com a decoração do antigo bar

Insanity: Qual é a capacidade do bar?

Mariel: Hoje em dia a capacidade é 360 pessoas. Quando eu abri a casa e as leis era um pouco diferentes, a capacidade era de 715 pessoas.

 

Insanity: As leis ficaram mais rígidas depois do que aconteceu na boate Kiss.

Mariel: É, a capacidade da casa caiu praticamente pela metade, mas eu também fiz umas reformas, fechei um espaço na parte de cima, fiz umas divisórias que não existiam por causa do volume do som.

 

Insanity: Quais são as maiores dificuldades para manter uma casa de shows?

Mariel: A maior dificuldade é conseguir convencer as pessoas a comparecerem sempre (risos). Por que às vezes as pessoas comparecem em uma festa, dá tudo certo, eu consigo pagar a banda, pagar os funcionários, a festa bomba e aí eu já penso em fazer uma festa melhor, invisto um pouco mais e chega na hora o público não comparece. Isso já aconteceu muito no início, tivemos shows com bandas que já tem um nome formado, por que a intenção era fazer um circuito forte para as bandas.  Mas se eu contrato uma banda de maior expressão e só comparecem 80 pessoas, é complicado, me quebram as pernas. Só depois que o bar abriu eu percebi que não basta ter um monte de amigos que tocam Rock And Roll, conhecer muitas bandas para fazer a casa funcionar. Ainda sigo com a ideia de tornar o bar uma referência de casa de shows no estilo Rock na cidade, mas é um caminho bem difícil. Agora eu estou recomeçando com novas ideias, com uma administração mais firme, com um olhar mais empreendedor para a coisa toda. No meu caso eu tenho poucas parcerias, a maioria das casas firmam parcerias com marcas ou distribuidores de bebidas, isso é praticamente 50% do que mantém uma casa de shows aberta, ter um patrocínio dá uma segurança maior para as casas de shows, e por enquanto eu preciso me virar sozinho.

Insanity: E você está procurando essas parcerias?

Mariel: Sim, no momento eu tenho algumas empresas que estão interessadas e em função disso talvez eu precise mudar um pouco a ideia do bar de ser restrito ao Rock And Roll para não precisar fechar as portas como já aconteceu antes.

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Mariel Caetano é o homem responsável pelo Carlitus Bar


Insanity: Quantas vezes o bar já fechou?

Mariel: Duas vezes, no ano passado eu fechei, depois de três meses eu reabri, depois fui obrigado a fechar novamente e a intenção era vender e nunca mais ter um bar. Então eu parei e comecei a analisar a forma que eu levava as coisas e percebi que se eu levasse mais a sério poderia funcionar. Infelizmente por mais que eu goste da linha Rock And Roll, o público de Rock não comparece com regularidade. Então se empresários começarem a investir em alguns eventos que não seja voltado somente para o Rock, vou precisar analisar essa situação como um homem de negócios e não como um fã de Rock And Roll.

Insanity: Uma das vezes que o bar fechou, a casa mudou o nome para Open, por que isso aconteceu?

Mariel: Isso foi em função de uns investidores que apareceram e queriam comprar a casa, então me pagaram uma parte em dinheiro e outra em cheque, mas eram cheques sem fundos. Eu fazia muitos negócios na base da confiança, então quando percebi que as promessas desses investidores eram falsas, desfiz a parceria e foi uma confusão, quase deu briga (risos).

 

Insanity: Naquele momento o Carlitus virou uma produtora?

Mariel: Como eu gosto muito dessa parte e ainda tinha muitos contatos, eu pensei eu começar a alugar o espaço dos outros bares para criar uma festa de Rock, convidar as bandas, fazer toda a produção do evento, por isso naquela época o Carlitus virou produtora.

 

Insanity: Que medidas você precisou tomar para reabrir o bar?

Mariel: Eu tinha duas opções, ou fechava de vez e perdia todo o investimento que eu fiz desde o início, ou tentava mais uma vez. Eu cheguei num ponto que estava pagando aluguel com o bar fechado, a empresa Carlitus estava à venda, e o alvará que o Carlitus tem é difícil de conseguir hoje em dia, então eu não podia simplesmente desistir. Foi uma correria para reabrir, eu precisei fazer tudo sozinho, desde soldar um corrimão na escada, até consertar o forro, receber as mercadorias, fazer a instalação de todo o sistema de som, etc.

Insanity: Agora você tem alguém para te ajudar a administrar o bar?

Mariel: Sim, agora tenho uma sócia, a Tione Rosa, ela cuida da parte administrativa, dos funcionários, fizemos uma parceria e estamos nos organizando, ela tem autonomia para cuidar dessas partes do negócio como achar mais correto.

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Mariel e Tione, sua nova sócia

 

Insanity: Como músico, qual a importância que você dá para um espaço como o Carlitus?

Mariel: Como músico eu acho muito importante ter lugares que deem espaço para bandas autorais. A minha ideia inicial quando abri o bar era receber apenas bandas autorais, só que infelizmente isso não traz público, e a dificuldade é poder pagar um cachê justo para as bandas que fazem músicas próprias, eu queria fazer algo que fosse bom financeiramente para essas bandas. Hoje é praticamente impossível manter um bar deste tamanho, pagando todas as despesas de funcionários mais o cachê da banda somente com a arrecadação do público de banda autoral.  Não quero que pensem que uma banda autoral deva tocar de graça, mas sem um bom patrocínio os bares e as bandas precisam firmar parcerias, não adianta cobrar um cachê alto se a banda não tem um público forte, é necessário que seja justo tanto para a banda, quanto para o bar.

 

Insanity: O que você acha que seria uma parceria justa para ambos os lados?

Mariel: Se a banda não precisa viajar para tocar em determinado bar, a parceria mais justa que eu acredito é dividir a portaria. Por que se derem dez pagantes, cinco são da banda e cinco pagantes são do bar, se derem 500 pagantes se faz a mesma coisa. Assim todos fazem sua festa, fazem seu show e saem felizes. Juntar esses itens é que se torna complicado, então quando o bar já inicia com o orçamento apertado fica difícil montar uma agenda. Eu já começo a noite com quase R$ 3.000,00 negativos, então você imagina começar com essa pressão de ter que vender cerveja para cobrir isso, só contando um pouco com o valor de portaria. Aí se uma banda chega e me cobra digamos o mínimo de R$ 800,00, complica muito para mim. Então eu prefiro colocar uma banda que eu não conheça tanto, mas que topa dividir a portaria. Pode ser que traga um público menor, mas quando se está na corda bamba, é melhor ficar no caminho mais seguro.

 

Insanity: Já tens eventos fixos que vão acontecer no bar?

Mariel: Fixos por enquanto serão três eventos, nem todos serão Rock And Roll, eu vou precisar alternar isso. Um é baseado na música e na cultura asiática que será sempre no último sábado do mês, uma festa eletrônica na última sexta e a outra festa mais para o lado do Hard Rock sempre no primeiro sábado do mês. Fora isso o bar também vai começar a produzir festas para não ficar dependendo de produtoras o tempo todo.

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A volta do Carlitus Bar traz uma grande opção à noite de Porto Alegre

Insanity: Quais são os planos para o futuro do Carlitus?

Mariel: Estou preparando umas novidades para a casa. Queremos manter o bar aberto sempre de terças a sábado e ocasionalmente aos domingos. De terça a quinta vai ser no estilo boteco, sem cobrar ingresso para entrada, com cerveja mais barata e o palco aberto para as bandas ensaiarem. Vai ter uma agenda, as bandas vão ter todo o equipamento disponível e as pessoas vão poder assistir esses ensaios, talvez a cozinha abra para vender salgados e petiscos, bem no clima de boteco mesmo. Isso é para o público começar a frequentar o bar e enxergá-lo com outros olhos, não apenas para assistir um show, mas para que as pessoas possam se sentir em casa. Beber cerveja, jogar sinuca e ver a bandas dos amigos ensaiando. Nas sextas e sábados vão acontecer festas temáticas com shows, mas não necessariamente voltadas apenas para o Rock. Então até que o bar possa se firmar como uma das melhores casas de shows da cidade, teremos que abrir espaço para outros estilos, se dependesse de mim seria só Rock, mas o público precisa entender que se eles não comparecem o bar e as bandas não conseguem se sustentar. De agora em diante, a ideia é não fechar mais, é trabalhar para melhorar sempre.  Eu também quero recuperar uma ideia que não deu tempo para fazer no tempo da produtora, que é uma vez por mês fazer uma festa na Ilha das Flores com bandas tocando, churrasco, piscina, tudo isso sairá quase de graça para os frequentadores fiéis do bar, talvez aconteça no domingo à tarde, bem no clima de família, uma celebração à amizade.

Insanity: Deixo aberto este espaço para que você possa falar direto com o público:

Mariel: O que me motivou muito a voltar com o bar foi o apoio dos amigos que sempre perguntavam quando iríamos abrir novamente. Uma coisa que me marcou muito foi estar em outro bar e ouvir as pessoas conversando e uma delas defendendo o Carlitus, isso mexeu muito comigo, me deu a força que eu precisava para recomeçar essa história. Então eu só posso agradecer a galera que apoia e que comparece ao bar, continuem vindo para acompanhar essas mudanças e melhorias que estamos fazendo para que cada vez mais vocês consigam se sentir em casa. Se todos se unirem, em um futuro breve teremos um bar novamente voltado apenas para o Rock And Roll e suas vertentes. Muito obrigado a todos e que sejamos uma grande família, podemos não ter o mesmo sangue, mas que sejamos uma família com as mesmas ideias.

 

Contatos:
Carlitus Bar Oficial Page

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Readers Comments (1)

  1. Muito legal a entrevista, gosto muito do Carlitus e fiquei bem triste quando soube que havia fechado (nas duas vezes que soube), acho o Mariel um cara muito bacana e justo, torço para que todos os planos dêem certo e que nosso amado Carlitus nunca mais precise fechar as portas!!!!

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