Ampola Estúdio: Treze anos de dedicação ao cenário musical de Porto Alegre

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Fotos: Acervo Ampola


Início dos anos 1990, dois irmãos e um desejo, fazer Rock And Roll. Aprendem a tocar, juntam os amigos, compram instrumentos e se deparam com um velho problema… Lugar para ensaiar! Assim começa a história dos irmãos Lauro e Filipe Arreguy e do Ampola Estúdio. Oficialmente são 13 anos recém-completados, mas a garagem que dá origem ao estúdio já abre espaço para o Rock há muito tempo. Mesmo após o fim das atividades da banda que deu origem ao nome, A.U (Ampola Urgente), o estúdio segue vivo, e depois de uma grande reforma, segue cada vez mais consagrado como lugar de extrema importância para a história de muitas bandas de Porto Alegre.

 

Lauro e Filipe nos concederam uma entrevista em que falam sobre o passado, presente e o futuro do Ampola Estúdio:

Insanity: Como vocês perceberam que o espaço, que a principio era apenas para ensaios particulares, poderia se tornar um estúdio aberto para ensaios de diversas bandas?

Lauro: Depois dessa época romântica garageira, o Filipe e eu já não tocávamos mais juntos, seguimos caminhos diferentes na música, mas decidimos aproveitar uma sala que fica acima de onde é o Ampola para fazer um estúdio com tratamento acústico mais “profissional’’ e nos mudamos para a parte de cima. Durou um bom tempo, usávamos apenas para uso pessoal e eventuais amigos, mas como tudo que é mais alto expande mais o som, tivemos problemas com o isolamento acústico e resolvemos descer de novo e ai sim fazer um estúdio com fins profissionais.

Filipe: Naquela época eu nem sabia que existia estúdios que cobravam para tocar. Sempre achei que rock fosse coisa de garagem. Sem horário “taxímetro” ligado, cobrando por hora, com agendamento. Uma vez com uma banda que tínhamos, a gente foi marcar horário num estúdio. Eu nem sabia que tinha essa parada de horário par, horário ímpar. Era num domingo, os caras da banda já estavam lá e nós, no domingão em casa achando que o ensaio era dali à uma hora. Quando chegamos foi horrível, péssimo atendimento e tratamento para banda. Sem contar que quando a gente entrava em estúdio para gravar, sempre foi aquela coisa tipo o Gugu falando: “Valendo! Tic, Tac”, o relógio sempre lembrando que estávamos pagando por hora, sem fala na cara de bunda dos donos do estúdio. Aquilo me chamou a atenção e quando começamos eu sempre lembrava destes episódios: se num dia eu tiver um estúdio, vou tratar meus clientes como eu gostaria de ser tratado quando eu fosse ensaiar ou gravar.

Ampola

Lauro e Filipe Arreguy, irmãos responsáveis por tornar uma garagem comum em um dos estúdios mais queridos de Porto Alegre.

 

Insanity: Na época vocês imaginavam que o Ampola estaria marcado na história de tantos músicos e bandas?

Lauro: Na verdade queríamos um estúdio aonde desde o mais amador possível até o mais profissional pudesse se sentir bem, queríamos um estúdio como diz nosso lema “onde a sua banda se sente em casa’’. A frieza de alguns donos de estúdios com episódios que nos vivemos foi o mote principal para essa ideia. Nunca seriamos o estúdio mais lindo, com geladeiras de amplificadores e tal, mas queríamos tratar bem o nosso amigo cliente, talvez isso explique o nosso sucesso que nada mais é do que o carinho desse povo que passou por aqui.

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Hall da Fama do Ampola

 

Insanity: Recentemente o estúdio completou 13 anos e mantém um público fiel, qual é segredo para se manter neste mercado tão competitivo e rotativo por tanto tempo?

Filipe: A gente começou tudo a partir de várias gambiarras e empréstimos de equipamento. Idealizamos a máxima do “atendimento diferenciado”. Sabemos que nunca seremos o “melhor estúdio de Porto Alegre”. Nem teremos o melhor equipamento do mundo. Sempre pensamos em oferecer um serviço bom com um preço justo. Já passou pelo estúdio muita gente que nem toca mais, que virou pai ou mãe de família, ou se mudou para outro país. Para nos manter, a gente sempre buscou novas bandas, novos clientes. Acho que por vários fatores, hoje em dia não tem mais tantas bandas com horário fixo como no início. Várias bandas só ensaiam antes de show ou gravação. Então para nos manter, além de não ter que pagar aluguel (o que é uma benção), de uns tempos para cá começamos a investir em novidades: bar, equipamentos e agora a reforma. A gente sempre vai prezar a ideia de que o Ampola é o estúdio onde a tua banda se sente em casa.

Lauro: Acho que o segredo é esse, tratar bem o cliente, respeitar o músico, fazer com que a experiência dele em tocar aqui seja a melhor possível e o principal: transformar eles em amigos, independente se a banda acabou, trocaram de estúdio, largaram a música ou mesmo não vendo o cliente por uns 10 anos, continuamos com uma relação boa de amizade.

Insanity: O estúdio acaba de passar por uma reforma, que mudanças aconteceram nesta renovação?

 Lauro: Simplesmente é um novo estúdio, desde as paredes, o teto e o chão. O corpo todo é novo, ficou moderno, mais iluminado mais agradável. Não que não curtíamos o velho Ampola, ele era muito bom, mas mudar as vezes é preciso e temos praticamente um novo estúdio para nossos clientes!

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Espaço reformado

Insanity: Neste tempo todo, vocês lembram-se de alguma história engraçada ou peculiar que tenha acontecido nas dependências do estúdio?

Filipe: Já vi de tudo, e certamente continuarei vendo. Mas de pronto, lembro-me de um sábado pela manhã, quando um casal marcou horário das 8h às 10h. Não lembro ter visto algum instrumento. Apenas o cara trouxe uma câmera de vídeo. Entraram na sala e não ouvi nada de música. Certamente serviu de motel e filmagem!

 Lauro: Como sempre falo: se tivesse talento escrevia um livro com a história dele, nem que seja para eu mesmo ler. Em 13 anos muita coisa rolou, ótimas historias; umas nem tanto; ganhamos amigos; momentos lindos; vimos a historia de parte da cena na nossa frente, surgimento e fim de bandas. Enfim como diria o Rei Roberto: são muitas emoções mesmo!

Insanity: Além de espaço para ensaios, o que mais o Ampola oferece?

Lauro: Temos um pequeno ‘’complexo’’, já que esta na moda esse termo. Um bar bem servido e aconchegante, eu dou aulas de baixo e violão, temos parceria com duas professoras de bateria, a Liege Milk e a Renata Crashaw, que usam nosso espaço pra dar aulas. Além de estacionamento para dois carros e um espaço para convivência ao ar livre bem bacana!

Filipe: O Ampola já tem um bar desde 2009. Tem bandas que usam o espaço do bar com a churrasqueira e fazem uns assados, antes, durante ou depois do ensaio. Gravações nunca tivemos a pretensão de fazer, pois tem muita gente boa nesta área em Porto Alegre. Nosso negócio é ensaio.

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Insanity: Quais são os planos para o futuro do Ampola?

 Lauro: Essa reforma nos deu uma renovada, que venha mais uma década, que o pessoal das antigas volte a fazer som, que gente nova venha conhecer. Aliás, quem conhecia e já não conhece que também venha prestigiar, e o principal, manter nosso padrão de acolhimento e atendimento diferenciado que faz o Ampola ser tão querido.

Filipe: Durar mais treze anos, pelo menos! Temos nossas vidas e nossas famílias. Ambos já não moramos na casa onde fica o estúdio, temos outras ocupações. Mas não vejo motivo para não continuarmos. O segredo é amar o que fazemos, todos os dias. E assim, os anos vão passando, os cabelos vão caindo e a barriga aumentando.

Insanity: Deixamos este espaço para que vocês deixem um recado direto para os leitores desta entrevista:

Lauro: Citando o Ozzy: enquanto tiverem garotos fazendo barulho em uma garagem, o rock está salvo! Que esses garotos, garotas ou nem tão mais garotos continuem sendo felizes fazendo música, essa terapia mágica que só faz o bem e que usem a nova velha garagem da Buarque (Buarque de Macedo, nome da rua onde o Ampola está localizado) para isso! Estamos aí!

Filipe: Agendem seus ensaios sempre aqui! (risos).

Contato:

Ampola Oficial

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